Política
Carneiro admite vontade do PS de votar contra o Orçamento mas salienta "dever de servir o país"
O secretário-geral do PS admite que a vontade do Partido Socialista era de votar contra o Orçamento do Estado, mas o partido entende que o seu dever é "servir o país".
"Devo dizer que pelas nossas convicções mais profundas, este orçamento merecia um voto contra. Mas o nosso primeiro dever é servir o país. Nós fazemos oposição ao Governo, mas não fazemos oposição ao nosso país", afirmou José Luís Carneiro esta segunda-feira em declarações aos jornalistas em Faro, onde iniciou um roteiro nacional para promover o debate sobre o Orçamento do Estado.
Carneiro negou, no entanto, estar a dar 'carta branca' ao Governo ao abster-se na votação da proposta. "(...) Nós entendemos que juntar uma crise às condições de vida difíceis, a uma economia que está a definhar, a pessoas que não conseguem fazer face às suas despesas do dia-a-dia, termos uma crise política e vivermos em duodécimos seria muito pior", referiu.
Afirmando que o PS é um "partido de grande responsabilidade", José Luís Carneiro disse acreditar que, no atual cenário, com uma guerra no Médio Oriente e uma asfixia da economia internacional, votar contra o OE2027 seria "criar um cenário de caos na vida social, na vida económica e na vida política".
No entanto, o dirigente do PS reconhece não ter "grandes expectativas" no Governo de Luís Montenegro.
"Eu não votei nele (no Governo). Não temos grandes expectativas sobre ele. Agora, uma crise política nesta altura levaria o país para o desconhecido, para um precipício", sublinhou.
Confrontado com críticas do Chega, Carneiro diz que André Ventura fez um ato de contrição, congratulando-se com o facto de o Chega ter admitido recuar e votar contra a proposta, durante o debate na especialidade, o que fará cair o diploma do Executivo.
"Verifiquei hoje que há alguém que está a tentar fazer um ato de contrição. Parece-me bem. (...) Vejo agora que também está a fazer um 'flik-flak'. Mas isso é bom. É bom para as pessoas, porque se contribuir para que caia esta lei injusta e desumana, pois, com certeza, é sempre melhor corrigir um erro do que nem sequer o admitir", concluiu.
Questionado pelos jornalistas sobre como vê os limites no direito à manifestação, no âmbito das manifestações em várias cidades do país em defesa do acesso à habitação, Carneiro defende que é preciso compatibilizar a autoridade com a liberdade.
"Esse é um dos exercícios mais difíceis de realizar na nossa vida coletiva. (...) E, portanto, temos de respeitar o direito de manifestação e temos de procurar garantir que o exercício da autoridade do Estado se realize sem pôr em causa direitos, liberdades e garantias fundamentais, mas é muito importante que aqueles que fazem e que exercitam o seu direito de manifestação o façam no quadro da legalidade democrática", referiu.
c/Lusa